Refugiados internos no Oriente Médio

O Conselho Norueguês para Refugiados (NRC) divulgou nesta quinta-feira o Panorama Global de 2011 – Pessoas Deslocadas por Confltos e Violência (a íntegra, em formato pdf). O relatório deixa claro que, apesar dos efeitos positivos do Despertar Árabe esperados para o longo prazo, há um efeito negativo imediato na região. Os números ajudam a dar uma importante dimensão humana de um evento geopolítico que será lembrado por décadas.

Segundo os números do NRC, 840 mil pessoas se tornaram refugiados dentro de seus próprios países em 2011, sendo que 410 mil ainda estavam nesta condição no fim do ano. Iêmen (175 mil), Síria (156 mil) e Líbia (154) eram os países mais afetados. Na Líbia, cerca de 400 mil pessoas conseguiram voltar para suas casas depois da morte do ditador Muamar Kadafi. Boa parte dos que permanecem refugiados são membros de tribos associadas ao governo de Kadafi e que teriam lutado ao lado dele no ano passado. Os membros dessas tribos – tenham ou não lutado ao lado de Kadafi, é impossível dizer – têm sofrido na Líbia. No início de março, surgiu um vídeo na internet que mostrava o que seriam aliados de Kadafi presos em jaulas e obrigados a engolir pedaços de pano que imitavam a antiga bandeira da Líbia. Outro efeito do deslocamento dessas tribos é a crise atual no Mali, motivada pela chegada ao país de mais tuaregues que teriam lutado ao lado de Kadafi.

O país do Oriente Médio com mais refugiados continua sendo o Iraque. O país ainda sente os efeitos da ocupação americana, iniciada em 2003 e encerrada no ano passado. Há entre 2,3 milhões e 2,6 milhões de refugiados internos no país.

Segundo o NRC, a situação dos refugiados no Oriente Médio é agravada pela falta de políticas dos governos para receber essas pessoas. O instituto norueguês diz que os governos se limitam a estimular o retorno desse refugiados, uma alternativa que, para muitos é uma sentença de morte. Vale lembrar que, graças à falta dessas políticas, a maior parte dos refugiados internos na região ainda são aqueles que estão nesta situação de forma prolongada: curdos no Iraque e na Síria, xiitas no Iraque, sírios nas Colinas de Golã e palestinos e beduínos na Cisjordânia.

No total, o mundo tinha, em 2011, 26,4 milhões de refugiados internos.

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