Os homens árabes odeiam as mulheres?

A imagem ao lado mostra a capa da edição maio/junho da revista americana Foreign Policy. A matéria principal, escrita pela jornalista egípcia-americana Mona Eltahawy causou uma enorme polêmica. Intitulada “Por que eles nos odeiam?”, a reportagem atribui a situação da mulher no Oriente Médio a uma “guerra” dos homens contra as mulheres, motivada pelo “ódio” e por uma “tóxica mistura entre religião e cultura”.

Escrevi um artigo para a Carta Capital sobre a polêmica – A Primavera Árabe vai promover os direitos das mulheres? – no qual questiono as generalizações que Mona fez em seu artigo. Ainda que, no geral, a situação da mulher no Oriente Médio seja péssima, ela é muito diferente conforme o país e o grupo social, e nem todos os homens agem de forma machista.

O trecho mais importante do artigo na Carta está abaixo. O tratamento ruim que as mulheres recebem não é exclusividade de países árabes. A sociedade humana, como um todo, é patriarcal, e, assim, a luta das mulheres por direitos iguais é travada em 100% dos países do mundo.

Tudo isso não é para minimizar o drama das mulheres no Oriente Médio. Como afirmou recentemente a escritora barenita Amal al-Malki, nos primeiros meses da Primavera Árabe a participação das mulheres nas manifestações democráticas foi “romantizada”, mas hoje elas perderam a voz novamente. Este cenário só vai mudar conforme o processo de democratização se consolidar no Oriente Médio. Por um simples motivo: a história da democratização do mundo é a história da equiparação dos direitos das mulheres aos dos homens. Esta batalha nunca foi, e não será, simples ou rápida. Ela será feita de avanços, retrocessos e obstáculos. Neste ponto, o exemplo do Brasil é esclarecedor. Em 2010, o Brasil elegeu sua primeira mulher presidente da República, mas entre 2003 e 2011 viu aumentar a diferença salarial entre homens e mulheres. Mesmo as grandes vitórias para as mulheres não se dão de forma tranquila. A aprovação da Lei Maria da Penha, em 2006, e a autorização do aborto de fetos anencéfalos, neste ano, foram acompanhadas de uma onda de críticas de conservadores, muitos deles religiosos, os mesmos setores que, no Oriente Médio, tentam impedir o avanço dos direitos das mulheres. Obstáculos também criam algumas mulheres. Nas eleições legislativas do Egito, milhões de egípcias, votando pela primeira vez de forma livre, escolheram candidatos salafitas, os defensores da versão mais radical do Islã. No Brasil, a ex-apresentadora Mara Maravilha deu recentemente uma entrevista na qual defende a “submissão” das mulheres.

Abaixo seguem alguns artigos escritos a respeito da polêmica levantada por Mona Eltahawy:

Do Arab men hate women? It’s not that simple, de Nesrine Malik, no The Guardian

‘Why Do They Hate Us?’ A Blogger’s Response, de Mona Kareem, no Al Monitor

Love, Not Hatred, Dear Mona!, de Dima Khatib, em seu blog pessoal.

The Real Roots of Sexism in the Middle East (It’s Not Islam, Race, or ‘Hate’), de Max Fisher, na The Atlantic

Dear Mona Eltahawy, You Do Not Represent “Us”, de Samia Errazzouki, no Al Monitor

I don’t really think they hate us!, de Nahed Eltantawy, no blog Tahrir Spirit

Us and Them: On Helpless Women and Orientalist Imagery, de Roqayah Chamseddine, no blog The Frustrated Arab

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