Direita e esquerda em Israel e a paz com os palestinos

O site do jornal Haaretz publica nesta quarta-feira um extrato de uma pesquisa de opinião feita pela Universidade de Tel Aviv a ser divulgada na íntegra na quinta-feira. O resumo da pesquisa é um só: os israelenses desejam a permanência de Benjamin Netanyahu como primeiro-ministro. Qual o significado disso? Que a paz com os palestinos está bastante longe de ser obtida.

A coalizão de direita e extrema-direita que sustenta Netanyahu está ruindo (fiz um texto sobre isso no site da Carta Capital) e novas eleições foram convocadas para 4 de setembro. Pelo sistema parlamentarista que vigora em Israel, o líder do partido com mais cadeiras no Parlamento, o Knesset, tem a chance de formar a coalizão e, assim, se tornar o primeiro-ministro. A pesquisa expôs aos israelenses os nomes dos líderes e perguntou qual deles tinha o perfil mais adequado para ser o novo premiê. Netanyahu, do Likud, um partido de direita, foi escolhido por 48% dos israelenses. A líder do Partido Trabalhista (esquerda) Shelly Yachimovich ficou em segundo lugar, com 15%. Avigdor Lieberman, do Yisrael Beitenu (extrema-direita), teve 9% e Shaul Mofaz, do Kadima (centro), obteve apenas 6%.

Esse resultado, combinado com as pesquisas que apontam a vitória do Likud, indicam que é ínfima a chance de Netanyahu perder o posto. E como isso influencia a paz com os palestinos?

A paz Israel-palestinos não é inviável nem impossível. Mas, para que ela seja firmada, muitos fatores precisam se alinhar corretamente ao mesmo tempo. Um deles é Israel ter um governo que deseje a paz. Este não é o caso de Netanyahu.

Em Israel, os conceitos de direita e esquerda são, no geral, parecidos com os do resto do mundo. Mas há uma diferença fundamental. A esquerda em Israel busca a paz com os palestinos e luta para dar a eles um Estado viável. Foi a esquerda israelense que comandou o processo de paz dos anos 1990 e 2000, destruído por muitos fatores, o principal deles Yasser Arafat, o então líder dos palestinos.

A direita também busca a paz, mas apesar dos palestinos. Só em 2009, quando Netanyahu assumiu seu mandato atual, o Likud aceitou formalmente a criação de um Estado palestino. Antes disso, defendia a ocupação da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Apesar desta declaração formal, o governo Netanyahu pouco faz pela paz. E, pressionado por seus aliados de extrema-direita, atua contrariamente a ela, por exemplo defendendo novos assentamentos na Cisjordânia, considerados ilegais pela comunidade internacional e até pela Suprema Corte de Israel.

Outra atitude de Netanyahu contra a paz é estabelecer condições inaceitáveis para negociar com os palestinos. A mais absurda delas é o desejo de que a Autoridade Palestina reconheça Israel como Estado judeu antes de as negociações serem retomadas. Isso indignaria milhões de palestinos que ainda acreditam ter o direito de voltar para o que consideram ser terras ocupadas por Israel, boa parte delas sendo hoje o grosso do território de Israel.

Este é Benjamin Netanyahu. No papel, ele poderia até ser o homem a firmar a paz, mas na realidade, a chance de isso ocorrer é ínfima.

Foto: Marcos Castro / UN Photo

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s