O que impede um acordo nuclear com o Irã?

Hoje acabou a rodada de conversas entre o P5 + 1 (que agora vem sendo chamado de E3 + 3) e o governo do Irã em Bagdá, no Iraque. Foram dois dias de negociações, tensas segundo relatos, que produziram apenas uma nova data para a continuação dos diálogos – 18 e 19 de junho em Moscou.

Uma nova rodada de negociações, após consultas que serão feitas nas capitais, não é nada mau diante da situação existente até pouco tempo atrás, quando as partes ficaram 15 meses sem se falar. Neste trecho, que escrevi para o site da Carta Capital, a explicação prática de por que o impasse persiste.

A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton (…), afirmou que o diálogo se concentrou no enriquecimento de urânio por parte do Irã. (…) Segundo Catherine Ashton, o Irã se mostrou disposto a lidar com o tema, mas ainda há “diferenças significativas” entre as duas partes.

As diferenças se concentram sobre as diversas sanções impostas ao Irã por conta de seu programa nuclear. Essas sanções, aplicadas pela ONU, pela União Europeia e pelos Estados Unidos, atingiram duramente o sistema bancário e a exportação de petróleo do Irã. O objetivo de Teerã no diálogo em Bagdá era conseguir que essas sanções fossem aliviadas ou retiradas em troca de concessões por parte do Irã. As potências, entretanto, não se mostraram dispostas a fazer isso.

Após o encontro, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, afirmou que “a bola está na quadra do Irã”. Com isso, quis dizer que é o Irã quem deve ceder.

Como sempre, há uma boa dose de prepotência na política externa dos EUA e da Europa. Eles querem que o Irã ceda antes de receber qualquer benefício, querem mostrar o “porrete” antes de dar a “cenoura”. Essa postura é, em parte, motivada pelas desconfianças sobre o Irã, que, é verdade, muitas vezes foram motivadas pelos próprios iranianos. Mas essa postura desconsidera que o programa nuclear é, para a maioria dos iranianos, incluindo os reformistas da Revolução Verde de 2009, muitos hoje presos, uma questão de orgulho nacional.

Este aspecto do impasse é conhecido há muito tempo (reportagem da AP de novembro de 2011 fala sobre isso), mas ainda assim não entrou no cálculo político de Washington e Bruxelas. Por enquanto, prevalece a pressão de Israel, e de países árabes como a Arábia Saudita, para que o Irã seja “desarmado” (se é que tem armas nucleares) a qualquer custo.

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