Morsi x Shafiq no 2º turno do Egito: como fica o voto revolucionário?

Mulheres egípcias aguardam em fila de votação no Cairo, em 23 de maio
Mulheres egípcias aguardam em fila de votação no Cairo, em 23 de maio

Na sexta-feira (26) foram divulgados os resultados da primeira eleição presidencial livre do Egito e, no segundo turno, o país terá um duelo entre seus dois principais medos: a Irmandade Muçulmana, representada por Mohammed Morsy, e militares ainda fiéis ao ditador Hosni Mubarak, aglutinados em torno da candidatura de Ahmed Shafiq.

O temor de um governo religioso ou de uma ditadura civil já havia sido comentado aqui no Oriente Médio em Foco em post de 14 de maio. Naquele dia, mostramos que, durante o único debate da eleição, o islamista moderado Abdel Moneim Aboul Fotouh e o ex-secretário-geral da Liga Árabe Amr Moussa personificaram esses medos. Os dois, entretanto, eram opções menos radicais do que Morsy e Shafiq. Eram, na realidade, candidatos do que poderia ser chamado de “centrão”.

O resultado foi um enorme choque para os revolucionários egípcios, que fizeram o até então impensável no ano passado (o início da revolução) para derrubar Mubarak. Agora, eles se encontram diante da possibilidade de ter novamente um governo muito parecido com o anterior. Muitos desses revolucionários estão agora em uma encruzilhada, pois boa parte não deseja votar no Partido Liberdade e Justiça (PLJ), o braço político da Irmandade.

O resultado não deve ser encarado como uma derrota total do movimento que foi às ruas em 2011. Foi uma derrota estratégica. O voto “revolucionário” se dividiu entre Aboul Fotouh e o esquerdista secular Hamdeem Sabbahi. Estivessem unidos numa única chapa, os dois poderiam ter conseguido quase 40%, mais que Morsy e Shafiq.

No segundo turno, os atos de Aboul Fotouh e Sabbahi serão decisivos. Se jogarem seu peso político em cima de Morsy e conseguirem transferir seus votos para o irmão muçulmano, a eleição estará decidida. Para isso, entretanto, a Irmandade Muçulmana e o PLJ terão de fazer um enorme esforço político. Isto significa reduzir os apelos aos eleitores salafistas (os radicais ultraconservadores) feitos no primeiro turno e dar uma nova guinada ao centro, acenando com propostas para temas como direitos individuais, das mulheres e de minorias como os cristãos.

Resta saber se a Irmandade Muçulmana terá capacidade de cumprir sua tarefa neste momento decisivo de sua história e também do Egito. Para evitar o retrocesso da revolução, a Irmandade precisa se tornar a grande mediadora política do Egito, capaz de atrair todos os que desejavam o fim do governo Mubarak.

Foto: UN Women/Fatma El Zahraa Yassin

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s