O massacre de Houla vai provocar uma intervenção militar na Síria?

Imagens mostra o que seriam os corpos do massacre de Houla em um necrotério
Imagens mostra o que seriam os corpos do massacre de Houla em um necrotério

Houla, uma cidade próxima a Homs, entrou para a história na sexta-feira 25 como palco de um dos massacres mais horrendos do conflito que se abate sobre a Síria desde março de 2011. Outros massacres foram divulgados na Síria, mas desta vez não há dúvidas de que realmente houve uma matança. A Missão de Supervisão da ONU na Síria (Unsmis) contou 90 corpos, sendo 32 de crianças. A agência Reuters fala em pelo menos 109 assassinatos.

A medida do horror está a um clique. O dominical britâncio The Observer colocou uma foto em sua capa (ao lado). Há na internet fotos [ATENÇÃO: CENAS FORTES] e vídeos [ATENÇÃO: CENAS FORTES] mostrando o resultado do massacre. Em vídeo destacado pela Al-Jazeera, uma mulher diz que se escondeu atrás da porta de casa enquanto homens armados matavam as crianças [ATENÇÃO: CENAS FORTES] dentro da residência.

Quem eram esses homens? Agiam a mando de quem? A ONU se limitou a condenar o massacre como se ele fosse fruto de geração espontânea e não nomeou culpados. As forças rebeldes sírias atribuem o massacre a milícias pró-Assad cujo objetivo é aterrorizar a população. Essa possibilidade é a mais aceita pela comunidade internacional ocidental. O governo Assad, também como de costume, culpa “terroristas” pelo massacre.

A questão premente aqui é uma só: o massacre de Houla será capaz de promover uma intervenção armada internacional na Síria? Provavelmente não.

Em primeiro lugar, já há uma intervenção camuflada em curso. Estados Unidos, países árabes e o Irã estão agindo para ajudar os rebeldes, no caso dos primeiros, e Assad, no caso do Irã. Em segundo lugar, não há consenso para uma intervenção. Rússia e China, aliados de Assad, continuam bloqueando esforços nesse sentido. Em terceiro lugar, mesmo que houvesse consenso, não há violação de direitos humanos capaz de jogar Estados Unidos e seus aliados numa invasão que pode ser semelhante ao desastre do Iraque (vale ler sobre isso as palavras do ex-comandante britânico no Afeganistão Richard Kemp a Al-Jazeera).

Sobra o que, então? Fazer nada? Ainda bem, está parece não ser uma opção.

De acordo com o jornal The New York Times, a nova iniciativa da Casa Branca será tentar acordar com a Rússia uma fórmula de transição para a Síria semelhante à que tirou Ali Abdullah Saleh do poder no Iêmen. Segundo o NYT, o presidente russo Vladimir Putin é favorável a esse desfecho e, mesmo em inglês, a proposta é chamada pelo termo russo “a variante Yemenskii” (iemenita).

Se vai dar certo, só tempo pode dizer. É uma pena que, até lá, outros massacres como o de Houla podem se repetir.

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