EUA e Israel criaram o vírus Stuxnet, diz NYT

Baterias antiaéreas que protegem as instalações de Natanz
Baterias antiaéreas que protegem as instalações de Natanz

O jornal The New York Times trouxe na sexta-feira uma grande reportagem sobre a criação do Stuxnet, o vírus de computador que afetou a central nuclear iraniana de Natanz, atrasando o programa nuclear do Irã. A reportagem, assinada pelo jornalista David Sanger, diz de forma clara que o Stuxnet foi criado pelos serviços de segurança de Estados Unidos e Israel em parceria. Muitos suspeitavam disso, mas ainda não havia comprovação.

Segundo a reportagem, o Stuxnet (nome dado por especialistas depois do vazamento do público), foi fruto do programa “Jogos Olímpicos” do governo americano, mais tarde compartilhado com Israel e, assim, melhorado. A operação “Jogos Olímpicos” foi autorizada inicialmente pelo governo George W. Bush, ainda em 2006, e começou a dar seus primeiros frutos no governo Barack Obama.

O código do vírus, 50 vezes maior que o de um vírus normal, foi inserido na central de Natanz por espiões, por meio de pendrives. Cada ataque foi previamente aprovado por Barack Obama. A ação foi o primeiro grande ataque virtual capaz de provocar danos físicos importantes. O Stuxnet funcionava assim: ele entrava nos computadores de Natanz, passava alguns dias monitorando as atividades e, de repente, ordenava que as centrífugas usadas para enriquecer o urânio girassem a uma velocidade muito maior que a esperada. Ao mesmo tempo, o vírus passava uma mensagem aos operadores de Natanz de que tudo corria normalmente. Muitas centrífugas foram destruídas.

Para testar o vírus, americanos e israelenses construíram réplicas do sistema de funcionamento de Natanz e também das centrífugas. É um procedimento parecido com o que foi realizado na Segunda Guerra Mundial. Réplicas de casas e edifícios alemães, construídos no Estado de Utah com os mesmos materiais usados na Alemanha, serviram de campo de treinamento para a Força Aérea aliada.

O Stuxnet vazou para a internet em meados de 2010, depois de se hospedar no computador de um engenheiro de Natanz. Isso ocorreu por conta de um erro no código do vírus. Os americanos culpam os israelenses pelo erro, mas segundo o NYT não há certeza sobre isso. Mesmo com o vírus exposto na rede mundial, os ataques persistiram. Uma semana após o vazamento, cerca de mil centrífugas foram destruídas.

Foto: Hamed Saber/Flickr

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