Qual é a posição do Brasil a respeito da crise na Síria?

Basta uma rápida passada de olhos nas notícias sobre a Síria para entender quão grave é a situação no país e quão complicada é a tarefa da comunidade internacional. Neste contexto, seria interessante que o governo Dilma Rousseff aproveitasse a oportunidade e agisse para ampliar o peso político internacional do Brasil. Não é isso o que vem ocorrendo.

Em 2011, quando ficou claro que Bashar al-Assad estava cometendo massacres contra civis sírios, cogitou-se realizar uma intervenção militar no país, comandada, como ocorreu na Líbia, pelo Ocidente e alguns países árabes. A proposta foi rejeitada devido à posição geopolítica da Síria, capaz de gerar uma guerra regional.

Após meses de paralisia, optou-se pelo plano de paz de Kofi Annan, enviado especial da Liga Árabe e das Nações Unidas para a Síria. A iniciativa já nasceu como um fracasso, por não entender a natureza do governo Assad. Hoje, na prática, a proposta de Annan serve como cobertura oficial para matanças, como o massacre de Houla.

E o governo brasileiro, o que vem fazendo? Como deixou muito claro em entrevista ao jornal Le Monde na semana passada, o chanceler Antonio Patriota (foto) apoia a iniciativa de Annan. Neste sábado 2, Patriota repetiu a fala, dizendo que o apoio do Brasil é inequívoco.

Nas palavras de Patriota é possível depreender que, para o Brasil, apoiar o plano de paz de Annan significa ir contra a ideia de uma intervenção armada. Como afirmou ao Globo Paulo Sérgio Pinheiro, que preside a comissão independente encarregada de investigar o massacre de Houla, uma ação militar na Síria seria catastrófica.

Pinheiro tem total razão. Quem não tem razão é o Itamaraty, ao ver esta questão meramente de forma maniqueísta, numa lógica intervenção armada versus plano de paz da Annan. O fato de as opções estarem resumidas a esta dicotomia mostram o fracasso do atual sistema de tomada de decisões da comunidade internacional e expõe a inoperância do Conselho de Segurança.

Neste contexto, o Brasil precisa agir e mostrar que está agindo, até mesmo para evitar críticas de “conivência com Assad”. O Brasil deve, em público e em privado, trabalhar para romper o apoio da Rússia e da China a Assad e se engajar ainda mais diretamente na busca de alternativas ao plano de Annan. Novas ideias urgem, e o Brasil tem motivos de sobra para apresentá-las. Do ponto de vista humanitário, uma bandeira cara para a diplomacia nacional, é preciso acabar logo com o conflito na Síria antes que este se torne uma guerra civil. Do ponto de vista pragmático, o Brasil, que tanto deseja uma vaga no Conselho de Segurança, tem a chance de demonstrar sua capacidade de liderança.

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