Palestinos e israelenses poderiam viver juntos num mesmo país?

O assentamento Beit El, construído no bairro de Ulpana, sobre terra privada palestina, em 2005
O assentamento Beit El, construído no bairro de Ulpana, sobre terra privada palestina, em 2005

O conflito entre israelenses e palestinos é extremamente complicado de se entender, mas os desfechos de um possível acordo de paz não são. Há apenas três possibilidades.

A mais bizarra delas é o fim de Israel e a tomada de toda a terra pelos palestinos. É a solução que o Hamas deseja e que, hoje, é impossível. A segunda, a mais aceita internacionalmente, é a chamada solução de dois Estados, por meio do qual um Estado palestino seria criado onde hoje estão os territórios ocupados da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. É por essa solução que a maior parte da comunidade internacional trabalha.

A terceira possibilidade é uma que, hoje, também parece impossível. É a solução de um Estado, na qual todos os cidadãos israelenses e palestinos seriam compatriotas. Apesar de ser difícil imaginar um judeu ortodoxo e um radical do Hamas torcendo para a mesma seleção de futebol, essa solução ganha cada vez mais adeptos.

O assunto está em voga porque Israel vive atualmente um debate sobre os assentamentos na Cisjordânia. Esses assentamentos surgiram depois da Guerra dos Seis Dias, em 1967, e são considerados ilegais por todos os países do mundo. Em artigo publicado há alguns dias no jornal Yedioth Ahronoth, o professor de História Aviad Kleinberg, da Universidade de Tel Aviv, contextualizou os assentamentos de forma simples.

Parafraseando o intelectual: Os assentamentos surgiram por motivos tanto religiosos (ocupar a Terra de Israel) quanto estratégicos (ampliar o território israelense). Hoje, a questão estratégica se foi e sobrou apenas a religiosa. O governo de Israel não age de forma racional ao se curvar a esta causa defendida pelos partidos religiosos de Israel e, portanto, a população deve agir para se livrar dessa ânsia por assentamentos.

A prova do que disse Kleinberg vem pelos fatos. Na semana passada, o governo israelense de Benjamin Netanyahu derrubou uma lei que legalizava o assentamentos, mas prometeu construir mais 850 casas em assentamentos existentes. A primeira ação foi, com razão, elogiada pela comunidade internacional. A segunda, também com razão, foi duramente criticada. E por quê? Por que os assentamentos são uma das principais questão a inviabilizar o Estado palestino. Novamente: por quê? Porque foram erguidos de forma a impedir o surgimento de um Estado contíguo na Cisjordânia.

Diante deste contexto, a solução de um Estado ganha adeptos. O último deles foi Miko Peled, um ativista israelense que vive nos Estados Unidos. Peled é filho do general Matti Peled, chefe de logística do Exército de Israel nos anos 1960, que já após a Guerra dos Seis Dias era contrário à ocupação. Seu argumento, hoje óbvio, era revolucionário na época: “Se mantivermos essas terras sob nosso controle, a resistência popular à ocupação certamente vai surgir, e o Exército de Israel será usado para reprimir essa resistência, com resultados desastrosos e desmoralizantes”.

Duas intifadas e um Hamas depois, Matti Peled estava certo. Se seu filho Miko seguir o pai antevendo o futuro de Israel, a solução de um Estado vai sobressair. Eis o que Miko escreveu no Los Angeles Times:

Israel está novamente diante de duas opções: continuar a existir como Estado judeu enquanto controla os palestinos por meio da força militar e leis racistas, ou faz uma profunda transformação e vira uma democracia real na qual israelenses e palestinos vivem como iguais em um Estado compartilhado, sua terra natal compartilhada. Para israelenses e palestinos, o último caminho promete um futuro brilhante.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s