Neste domingo, saem os resultados da eleição no Egito. A violência vai tomar conta do país?

Imagem da TV Al-Hayat mostra manifestação neste sábado a favor de Shafiq. Imagem via @Egyptocracy
Imagem da TV Al-Hayat mostra manifestação neste sábado a favor de Shafiq. Imagem via @Egyptocracy

Neste domingo, as autoridades egípcias vão divulgar o nome do novo presidente do país, o primeiro eleito pela população na história. A disputa está entre Mohammed Morsy, do Partido Liberdade e Justiça (PLJ), braço político da Irmandade Muçulmana, e o ex-primeiro-ministro de Mubarak Ahmed Shafiq. O resultado deveria ter sido anunciado durante a semana, mas foi adiado devido à investigação, por parte da Comissão Eleitoral, de denúncias de irregularidades.

Desde o início da semana, partidários da Irmandade Muçulmana estão realizando protestos na praça Tahrir. Neste sábado, notícias de jornais egípcios e estrangeiros e vindas pelo Twitter dão conta de que partidários de Shafiq também estão nas ruas, mais precisamente em subúrbios do Cairo. A questão que se levanta é: haverá violência?

Como tudo no Egito, a questão não é simples.

Há curto prazo, a resposta é sim. Quando o resultado surgir, haverá um grande grupo de pessoas insatisfeitas e, como já tratado aqui, o Egito se encontra polarizado politicamente nessas eleições. Então, não é surpresa alguma se houver conflitos entre as famigeradas forças de segurança e manifestantes. Se este conflito se der contra o grupo favorável a Morsy, é certo que a truculência será mais intensa.

A longo prazo, entretanto, o Egito não deve sucumbir à violência generalizada. Em recente reportagem no site da Carta Capital, fiz uma breve análise sobre o Egito e explico neste trecho por que tenho esta opinião:

Além do poder dos militares, que provavelmente tentariam evitar um desfecho violento para a transição “democrática” do Egito, outros três fatores indicam que a violência generalizada não deve estar no destino egípcio. Em primeiro lugar, o Egito não tem grandes divisões sectárias, como a Síria e o Líbano, maior combustível para os massacres no Oriente Médio. Pode-se alegar que a Argélia, etnicamente homogênea como Egito, embarcou numa terrível guerra civil nos anos 1990, após uma vitória eleitoral de partidos islâmicos, mas aqui entram dois outros fatores. Os grupos fundamentalistas armados do Egito se extinguiram após aterrorizar o país nos anos 1980 e 1990. Uma dessas facções, o Grupo Islâmico, se tornou partido político. A Irmandade Muçulmana rejeitara a violência antes disso, ainda nos anos 1970. Assim, não é tão óbvio que uma guerra civil pode começar a qualquer momento. Outro fator a ser levado em consideração é a rejeição da sociedade egípcia à violência, o que surgiu exatamente por conta do banho de sangue dos anos 1980 e 1990. Uma campanha de ataques contra as autoridades falharia em obter apoio popular.

O caminho do Egito é árduo, e recentemente sofreu um grande retrocesso com a dissolução do Parlamento e o golpe branco da junta militar, que assumiu os poderes legislativos. A “batalha” no Egito deve se dar de forma institucional, com a formação de um novo Legislativo, a luta da sociedade por reformas no Judiciário de forma a torná-lo independente e inúmeras disputas a respeito de aspectos da vida civil, como o papel das mulheres e da religião. Não será um futuro simples, mas se realmente não for marcado pela violência generalizada, pode trazer bons frutos a longo prazo.

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