Israel deve estender a mão ao Egito durante a transição

Yossi Beilin (à esq.) e o palestino Yasser Abed Rabbo dão entrevista sobre o Acordo de Genebra, em 2003. Foto: UN Photo/Mark Garten
Yossi Beilin (à esq.) e o palestino Yasser Abed Rabbo dão entrevista sobre o Acordo de Genebra, em 2003. Foto: UN Photo/Mark Garten

Na semana passada, escrevi um texto no site da CartaCapital elogiando a postura do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que fez uma aceno amigável a Mohamed Morsi, o novo presidente do Egito. No artigo, defendi que a melhor atitude possível por parte de Netanyahu para criar laços de verdadeira amizade com o Egito seria buscar a paz com os palestinos.

Nesta segunda-feira 2, a revista Foreign Policy publicou um excelente texto de Yossi Beilin, que participou do processo de Paz de Oslo, foi ministro de três governos israelenses (Yitzhak Rabin, Shimon Peres e Ehud Barak) e lançou o Acordo de Genebra. Em seu artigo, Beilin diz que “o novo presidente do Egito pode não ser um moderado, mas merece uma chance de provar que não é inimigo”.

Mas há uma forma de o governo israelense pavimentar o caminho para melhores relações com Cairo: Em seus discursos, Morsi faz uma conexão entre a ausência de um acordo de paz israelo-palestino e as más relações entre Israel e Egito. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pode não estar preparado para pagar o preço para concluir um acordo permanente, mas ele poderia conduzir um diálogo com os palestinos sobre os acordos que conduzam a esse resultado.

O governo de Israel também poderia sugerir que o novo presidente do Egito hospede as negociações entre Israel e a Organização pela Libertação da Palestina. Isso daria aos egípcios a possibilidade de serem envolvidos na resolução do conflito, e ele desenvolveria um importante canal entre Israel e o governo de Morsi. O próprio ato de fazer a oferta seria um passo positivo: em vez de os israelenses aturarem ouvindo os discursos Morsi – com uma grande dose de desconforto – seria possível dar a ele um desafio e julgar suas intenções. E se Morsi aceitar o desafio, então coisas boas sairiam disso para todos.

Este é o momento de estender a mão para Morsi e oferecer-lhe qualquer ajuda é possível. Se ele decepcionar, a mão estendida pode ser levada de volta. No entanto, se não houver mão estendida, em primeiro lugar, o ressentimento do Egito contra os Estados Unidos, Israel e o Ocidente como um todo vai ser aprofundado. O Egito é muito importante para o mundo ocidental, e agora, mais do que nunca, o Ocidente pode provar como é vital para os novos líderes da terra do Nilo.

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