Babá, PSOL, Israel e a esquerda brasileira

Um dos traços mais arcaicos da extrema-esquerda e da esquerda brasileiras hoje em dia é a posição a respeito de Israel. A ocupação da palestina é uma das grandes causas da “luta contra o imperialismo” e, lamentavelmente, a retórica usada para debater o assunto continua semelhante à usada décadas atrás. O fato de os argumentos serem velhos, por si só, não é condenável. O problema é que muitos deles incitam o uso da violência.

Neste fim de semana, foi divulgado no Youtube um vídeo misturando imagens atuais e antigas do ex-deputado federal Babá (PSOL), candidato a vereador no Rio (veja abaixo). Nas cenas atuais, ele recebe apoio de Marcelo Freixo, postulante de seu partido à Prefeitura do Rio de Janeiro. Nas antigas, Babá surge queimando uma bandeira de Israel.

Incendiar a bandeira de um país é um protesto com vários possíveis significados. No caso de Israel, pode ser entendido como um apelo pela destruição do país, um flerte com o antissemitismo que não deveria ser defendido por um político.

A ocupação dos territórios palestinos, defendida e estimulada pelo atual governo de Israel, é abjeta e absurda. É totalmente reprovável e condenada pela maior parte da comunidade internacional. Existe, entretanto, uma grande diferença entre ser a favor do fim da ocupação e ser a favor do fim de Israel. O Estado Judeu não existir era uma possibilidade até o início do século XX. Hoje, ninguém minimamente moderado defende tal coisa.

Não é difícil entender de onde vem a posição anti-Israel. A lógica é a seguinte: como os Estados Unidos são amigos de Israel e a “esquerda” luta contra o “imperialismo” dos Estados Unidos, logo a “esquerda” precisa ser contra Israel. O curioso dos “esquerdistas” que adotam esta posição é a falta de pudor em se colocar ao lado de uma tirania de direita, a do Irã. A mesma lógica prevalece com relação à Síria. É comum ver “esquerdistas” apoiando o ditador Bashar al-Assad simplesmente por ele ser contrário aos Estados Unidos.

A preponderância dos EUA nas Relações Internacionais e a ocupação israelense na palestina são causas a ser combatidas, mas há meios racionais e pacíficos para fazer isso, inclusive usados por muita gente de esquerda.

É triste ver que, para muitos, a lógica da Guerra Fria permanece, mesmo duas décadas depois da queda do Muro de Berlim e do fim da União Soviética. Não é, porém, uma exclusividade da esquerda. Do lado direito do espectro político há quem ainda demonize ideias “socialistas” e, pior, quem ache que o Brasil vive sob o risco de uma revolução comunista hoje em dia. Defender a destruição de Israel e combater o “perigo vermelho” hoje em dia são duas manifestações irmãs. Ambas, além de estúpidas, mostram que o autoritarismo é persistente.

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