Os secularistas democráticos do Egito precisam se unir

Se fosse necessário reduzir ao mínimo o número de tendências políticas no Egito, teríamos hoje três campos muito bem definidos. De um lado, estão a Irmandade Muçulmana (e seu braço político, o Partido Liberdade e Justiça) e os grupos salafistas, ambos religiosos. Do outro, está a oposição secular, com duas vertentes. A primeira é formada pelo grupos reacionários que desejam fazer o Egito voltar aos tempos de Hosni Mubarak. A segunda é integrada pela massa de nacionalistas, socialistas, comunistas e outros setores seculares. Este segundo grupo está à beira da depressão.

Um importante porta-voz dos secularistas democráticos, se assim podemos chamá-los, é Ibrahim Eissa. O blog The Arabist traz uma tradução para o inglês do texto “O sucesso de nossa revolução fracassada“, que Eissa publicou no jornal Al-Tahrir. Eissa critica os falsos revolucionários, os secularistas que anseiam pela volta do antigo regime, critica a Irmandade Muçulmana e sua plataforma religiosa e conclui dizendo que a revolução fracassou. Por que Eissa diz isso? Ele mesmo responde: “Para podermos recuperar a força e a habilidade de continuar a revolução”.

Como os secularistas democráticos do Egito pretendem fazer isso? Reportagem de Ashraf Kalil na revista Time tenta responder. Basicamente, os grupos e partidos seculares estão tentando se organizar e formar novos partidos, mais encorpados, com base em nomes fortes, como os de Hamdeem Sabbahi (esquerda), Amr Moussa e Ayman Nour (liberal). Os sociais democratas terão até “aulas” com o Partido Social Democrata da Dinamarca e com o Partido Trabalhista Britânico.

É uma estratégia legítima e democrática, que precisa dar certo para as eleições parlamentares. O pleito pode ocorrer no fim de 2012 ou no início de 2013. Um resultado melhor que o último, quando os islamistas levaram 75% dos votos (o Parlamento acabou desfeito) pode animar novamente os secularistas democráticos e tornar o processo de transição do Egito mais confiável.

Não é arriscado dizer que, caso o Egito siga polarizado entre os irmãos muçulmanos e os secularistas pró-Mubarak, o futuro do país será obscuro. Os setores não religiosos e democráticos precisam resistir à tentação de se aliar a políticos autoritários contra a Irmandade Muçulmana. Ao mesmo tempo, devem buscar organização para se tornar um força política considerável. Como escreveu Said Shehata no jornal Al-Ahram, “é responsabilidade do campos não-islamistas superarem suas divisões e se tornar a real força na cena política do Egito”.

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