Quem são os jihadistas da Líbia?

Omar Ashour, do Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos da Universidade de Exeter, publicou um texto interessante no Project Syndicate sobre os jihadistas (integrantes da luta armada) da Líbia. Ashour lembra que, como muitas reportagens mostraram, grupos salafistas estavam entre os rebeldes que lutaram contra as forças de Muamar Kadafi. Depois da queda do regime, eles se dividiram. Alguns foram para a vida política, outros aderiram a instituições de Estado e, outros, seguiram na luta armada.

A seguir, um pouco dos três destinos desses guerrilheiros motivados pela religião:

    • Entre os vários partidos políticos sírios, dois são formados por ex-jihadistas. Um é o Al-Watan, liderado por Abdel Hakim Belhaj. Belhaj lutou no Afeganistão e comandou o Grupo de Luta Islâmico Líbio, que seria uma facção próxima da Al-Qaeda (em agosto de 2011, Belhaj era visto como perigo de islamização da Líbia). Outro partido é Al Umma al-Wasat, liderado por Sami al-Saadi e Abd al-Wahad Qaid. Qaid é irmão do ex-número dois da Al-Qaeda, Hasan Qaid, conhecido como Abu Yahya al-Libi.

      Os dois partidos tiveram um péssimo resultado na urnas nas eleições para o Congresso da Líbia em julho, assim como partidos salafistas não integrados por jihadistas, como o Al-Asala.

    • Outros jihadistas, prossegue Ashour, foram absorvidos pelas novas instituições estatais líbias. Entre elas estão o Comitê Supremo de Segurança (equivalente ao ministério do Interior), a Força Escudo da Líbia (Defesa) e a Guarda Nacional, que absorveu mais de 30 brigadas guerrilheiras.
    • Muitas outras facções armadas continuam na guerrilha. Entre elas destacam-se a Ansar al-Shariah e a brigada Aprisionado Xeique Omar Abdel Rahman (o xeique-cego) que rejeitam a política e o Estado nascente.

    Cabe notar que alguns deles reclamam por não terem sido convidados a participar das instituições estatais e estariam, assim, sendo alienados pelo novo governo. Se neste início de transição esses grupos mostram tamanho radicalismo e ousadia, a ponto de atacar o consulado dos Estados Unidos, urge um imediato processo de conciliação entre esses grupos e o novo governo. Caso contrário, os jihadistas armados continuarão a provocar instabilidade na Líbia.

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