30 anos do massacre de Sabra e Shatila

Ariel Sharon com o então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em 2005. Foto: Evan Schneider / UN Photo

Nesta terça-feira, 18 de setembro, o mundo relembra os 30 anos do Massacre de Sabra e Shatila, ocorrido entre 16 e 18 de setembro de 1982, nesses dois campos de refugiados palestinos no sul do Líbano.

O massacre, que deixou entre 762 e 3,5 mil palestinos e xiitas libaneses mortos, foi cometido por falanges cristãs maronitas. A motivação para o ataque era o assassinato, dias antes, de Bashir Gemayel, líder maronita eleito presidente do Líbano. (O ótimo filme Valsa com Bashir é sobre o massacre)

Uma comissão independente liderada pelo Nobel da Paz irlandês Sean McBride e uma comissão do governo de Israel reconheceram, em investigações separadas, que Israel foi responsável, ao menos indiretamente, pelo massacre. A Comissão Kahan (israelense) considerou o então ministro da Defesa, Ariel Sharon, como pessoalmente responsável pelo massacre, por sua negligência ao conduzir o caso.

As tropas israelenses, além de cercarem os campos de Sabra e Shatila, impedindo a saída dos refugiados, permitiram a entrada dos falangistas e iluminaram os campos com sinalizadores para facilitar a atuação dos maronitas. Famílias inteiras, incluindo crianças, foram massacradas. Sharon continuou na vida pública e, entre 2001 e 2006, foi o primeiro-ministro de Israel.

Qual foi o contexto do massacre?

Em 1982, o Líbano vivia dois conflitos interligados, a Guerra Civil Libanesa (1975-1990) e a Guerra do Líbano, conhecida entre os libaneses como A Invasão. Os dois conflitos eram conectados por conta da atuação da Organização pela Libertação da Palestina (OLP).

A OLP estava em guerra com Israel e, à medida que era acuada, tomava partes do território do Líbano. A chegada da OLP ao Líbano, onde já viviam centenas de milhares de refugiados palestinos das guerras anteriores, provocou uma corrida armamentista e confrontos entre os diversos grupos libaneses – cristãos maronitas, cristãos armênios, muçulmanos sunitas, muçulmanos xiitas e druzos e grupos seculares – e entre esses grupos e os palestinos. As alianças eram fluídas e mudavam constantemente.

Em 1976, a Síria realizou uma intervenção militar, inicialmente ao lado dos cristãos maronitas, mas em seguida as alianças sírias também se modificaram.

Os conflitos se unem em 1982, quando Israel decide invadir o Líbano para cumprir três objetivos: acabar com OLP, que realizava inúmeros atentados contra alvos israelenses; reduzir a influência da Síria sobre o Líbano; e instalar o governo maronita de Bashir Gemayel, para em seguida assinar a paz com este novo regime libanês.

Quais os resultados dos confrontos?

Após o assassinato de Bashir, a aliança Israel-maronita se desfez. Israel recuou para o sul do Líbano, uma área de maioria xiita, onde exerceu uma rígida ocupação militar. Da resistência a essa ocupação nasceu o Hezbollah. Com Israel fora do Líbano, a Síria ampliou sua influência e ocupou militarmente grandes partes do país até 2005, quando o ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri foi morto em um atentado.

Ao fim da Guerra Civil do Líbano, a OLP acabou expulsa do país e os xiitas ganharam mais representação política no sistema sectário que existe até hoje. Em 1990, todas as milícias que lutaram a guerra civil se desarmaram, exceto o Hezbollah, que hoje continua atuando como grupo armado e prega a destruição de Israel, mas que evoluiu também para se tornar um partido político importante no Líbano.

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