Cartão de crédito que mostra a direção de Meca e outras soluções bancárias islâmicas

O banco Al-Hilal, uma instituição financeira estatal dos Emirados Árabes Unidos, lançou recentemente um novo cartão de crédito com uma funcionalidade especial – ele aponta para Meca, cidade na Arábia Saudita tida como a mais sagrada para os muçulmanos. É para lá que os praticantes da religião devem se virar na hora de realizar uma das cinco preces diárias.

O cartão tem uma bússola digital embutida que funciona graças a uma pequena bateria de lítio. Em conjunto com uma tabela numerada de países, o fiel identifica a direção correta na hora de realizar sua prece.

A bússola é uma “perfumaria” do Al-Hilal. Muito mais interessante é o sistema de cobrança que o banco usa para lucrar com o cartão, chamado tawarruq. O tawarruq é uma forma de conseguir dinheiro emprestado por meio de uma transação chamada murabaha. A murabaha, por sua vez, é a venda de um produto específico por um preço determinado mais um lucro expressamente declarado pelo emprestador.

Essas são duas das soluções bancárias islâmicas, aprovadas por líderes e estudiosos do Islã e também pela Conferência da Organização Islâmica, que reúne 57 países com populações muçulmanas. Muitos bancos locais, especialmente nos países do Golfo Pérsico, como o Al-Hilal, precisam desses serviços pois atendem um grande grupo de clientes que têm muito dinheiro e professam uma visão bastante rígida do Islã, na qual a cobrança de juros (riba) é proibida.

Em países como o Egito, onde o fundamentalismo está em ascensão, a proibição da riba pode ser um problema. Os salafistas fazem pressão sobre o Egito para que não aceite um empréstimo bilionário do Fundo Monetário Internacional. O presidente egípcio disse que assumirá o empréstimo, fundamental para reerguer a economia do país, e que ele não será proibido mesmo pelas regras mais estritas do Islã.

Cientes de problemas como esses, os banqueiros que decidiram investir no Oriente Médio, como costumam fazer em todos os outros lugares, se adaptaram para não perder a oportunidade. O HSBC, por exemplo, tem o HSBC Amanah, uma filial que oferece “financiamento islâmico” na Arábia Saudita, na Malásia e na Indonésia. O HSBC Amanah tem um Comitê Central de Sharia e comitês regionais cuja função é tornar palatável a cobrança de juros para esses públicos.

Neste guia de perguntas e respostas do Amanah é possível entender um pouco mais das soluções islâmicas. Sem conhecer as taxas cobradas é difícil comparar com os serviços em outros países, mas a impressão é que os comitês de sharia simplesmente dão nomenclaturas islâmicas a práticas que já existem no resto do mundo.

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