Kadafi usava a violência sexual para controlar a sociedade e a política da Líbia

O Harém de Kadafi, livro de Annick Cojean. Imagem: Reprodução

A Folha de S.Paulo publicou nesta segunda-feira 5 uma entrevista com a jornalista francesa Annick Cojean, que conta a impressionante história de como Muamar Kadafi, ditador da Líbia por mais de 40 anos, usava o estupro e o sexo para afirmar seu poder.

Cojean foi para a Líbia entender o papel das mulheres na revolução que colocou fim ao domínio de Kadafi e desvendou uma história repugnante. Uma mulher chamada Soraya contou a Annick ter sido estuprada sistematicamente por Kadafi durante cinco anos e serviu para abrir as portas para uma história de quatro décadas de atrocidades: Kadafi vitimou centenas, talvez milhares de mulheres da mesma forma que atacava Soraya. Uma delas teria ficado 30 anos sob o domínio do ditador.

Ao longo de sua investigação, relatada no livro O Harém de Kadafi, Annick descobriu que esse tipo de intimidação sexual não se restringia às mulheres usadas por Kadafi para aplacar seu apetite sexual. Ele estuprava mulheres ligadas a desafetos e aliados com o objetivo de mantê-los sob seu controle e fazia sexo até mesmo com ministros homens. A estratégia de Kadafi era protegida por uma cortina de silêncio cuja existência tinha duas bases: o conservadorismo da sociedade líbia, na qual o estupro é uma vergonha para a vítima e para sua família, e pelo sistema draconiano de poder de Kadafi, que provocava a desmoralização, detenção ou morte de qualquer um que o contrariasse.

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