Dani Dayan e o que pensa um assentado israelense na Cisjordânia

Dani Dayan, que nos últimos cinco anos foi presidente do Conselho das Comunidades Judaicas de Judeia, Samaria e Faixa de Gaza, foi o convidado de sexta-feira 18 do programa Hard Talk, da BBC. Em cerca de 25 minutos, Dayan mostrou o que passa pela cabeça dos assentados na Cisjordânia (Judeia e Samaria é o nome religioso), grupo visto hoje como um dos maiores empecilhos para a retomada do processo de paz. Ele abandonou o cargo para se dedicar à campanha de Netanyahu.

Na conversa com o jornalista Stephen Sackur, Dayan deixou claro acreditar que as precárias condições em que os palestinos vivem hoje em dia são resultado de ações dos próprios palestinos, e não de Israel. Em seu argumento, Dayan se aferra à incapacidade dos líderes palestinos Yasser Arafat, em 2000/2001, e Mahmoud Abbas, em 2008, de formalizarem os acordos de paz propostos pelos então primeiros-ministros israelenses Ehud Barak e Ehud Olmert. Nas duas vezes, a paz entre as partes descarrilou por uma série de motivos que dificilmente um analista isento atribuiria a apenas um dos lados.

Diante disso, Dayan propõe o que chama de uma “solução interina” para a questão: que Israel anexe a Cisjordânia de uma vez por todas. Essa proposta, da extrema-direita israelense, vem ganhando cada vez mais força em Israel. Ela envolve uma violação de diversas leis internacionais, mas Dayan não leva isso em conta. Segundo ele, é uma proposta “bastante realista, já que Israel está começando a entender que a solução de dois Estados nunca existiu, era uma miragem“.

Confrontado com o fato de que isso aumentaria o isolamento internacional de Israel, Dayan lembrou a Operação Ópera, ordenada em 1981 pelo então premiê Menachem Begin para destruir um reator nuclear do Iraque. “Muitos falavam em isolamento e hoje agradecem Israel por isso”.

A narrativa do assentamento é completada pela ideia de que um Estado palestino seria necessariamente radical e buscaria, cedo ou tarde, o fim de Israel. “Entendo o sentimento nacional dos palestinos, mais que um liberal em Tel-Aviv ou em Londres. E por entendê-los tão bem, tenho tanto medo deles. Porque sei que a aspiração final é voltar para toda a Palestina, a Jaffa, Bersheeva e Haifa [cidades israelenses]”, disse.

Em resumo, o que pensa o radical israelense: outros governos já tentaram fazer a paz, os palestinos não quiseram e, se deixarmos que eles tenham o próprio Estado, vão nos destruir. É uma narrativa muito bem amarrada, que se baseia em verdades e mentiras e apela à desconfiança do assentado diante do palestino. Por tudo isso, ela é tão perigosa.

Confira a íntegra da entrevista de Dani Dayan no Hard Talk, da BBC:

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