Imagem medieval persa mostra Moamé liderando Abraão, Moisés e Jesus em uma oração. Foto: The Middle Ages. An Illustrated History by Barbara Hanawalt (Oxford University Press, 1998)

Se Maomé não pode ser representado, como se faz um filme sobre ele?

Quem acompanha o noticiário internacional já notou, por episódios como os do cartunista Kurt Westergaard, do desenho South Park, da revista francesa Charlie Hebdo e, mais destacadamente, do filme Inocência do Muçulmanos, que retratar Maomé, seja com bom ou mau gosto, é um ato problemático, pois imagens do profeta são consideradas proibidas por muitos muçulmanos. Como, então, os os próprios seguidores do Islã contariam a história de Maomé sem retratá-lo?

Dois filmes, um produzido pelo Irã e outro pelo Catar, vão tentar fazer isso.

De acordo com o site The Hollywood Reporter, o longa iraniano está sendo produzido desde outubro, com orçamento de US$ 30 milhões. O diretor é Majid Majidi, de A Canção dos Pardais e Filhos do Paraíso. A versão do Catar será uma superprodução de US$ 1 bilhão. Barrie Osborne, produtor de Senhor dos Anéis, é um dos conselheiros dos responsáveis pelo filme.

Os longas vão mostrar uma diferença entre o Islã xiita (prevalente no Irã) e o Islã sunita (o dominante no Catar). Do ponto de vista da representação do profeta, os xiitas são muito mais liberais. Os sunitas condenam representações visuais de Maomé, que poderiam, segundo a interpretação de muitos líderes religiosos, provocar “idolatria”. Assim, no longa de Majidi, o corpo de Maomé aparecerá, mas não seu rosto. No filme do Catar, certamente não haverá representação do profeta.

Um aspecto interessante dos filmes será o fim de cada um deles. Maomé morreu em 632 e foi a disputa por sua sucessão que deu origem à cisão entre o xiitas e sunitas. Os xiitas consideravam Ali, genro e primo de Maomé, o sucessor legítimo, que era, para os sunitas, Abu Bakr, sem parentesco com Maomé, mas único a acompanhá-lo na Hégira (fuga de Meca para Medina). Se os filmes extrapolarem a história do profeta para incluir o que houve com o Islã após sua morte, a batalha teológica será intensa, e muito provavelmente não acabará bem.

Imagem medieval persa mostra Moamé liderando Abraão, Moisés e Jesus em uma oração. Foto: The Middle Ages. An Illustrated History by Barbara Hanawalt (Oxford University Press, 1998)

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