Uma nova esperança para a paz entre Israel e Palestina

Jassim al-Thani e John Kerry durante entrevista coletiva. Foto: Departamento de Estado dos EUA
Jassim al-Thani e John Kerry durante entrevista coletiva. Foto: Departamento de Estado dos EUA

Ainda que todo o otimismo com o processo de paz entre Israel e Palestina deva ser acompanhado de parcimônia, uma declaração feita na segunda-feira 28 pelo primeiro-ministro e chanceler do Catar, Sheikh Hamad bin Jassim al-Thani, pode representar, no futuro, um avanço enorme para o fim do conflito.

Após encontro em Washington com o novo secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, Jassim al-Thani afirmou, em nome da Liga Árabe, um acordo deveria “ser baseado na solução de dois Estados, com base na linha de 4 de junho de 1967, com [a possibilidade] de pequenas trocas de terras comparáveis, mútuas e aceitas por ambas as partes”. Traduzindo, o que Jassim al-Thani fez foi ressuscitar a Iniciativa Árabe para a Paz, lançada em 2002 pela Arábia Saudita e aprovada pela Liga Árabe. 

Por essa proposta, todos os países árabes aceitariam a existência de Israel em troca da criação de um Estado Palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, com Jerusalém Oriental como capital. A Iniciativa Árabe para a Paz fracassou por motivos que Robert Danin explica em texto da Foreign Policy e hoje se tornou inaceitável para Israel. Entre vários motivos porque Israel ocupou, violando a lei internacional, uma série de territórios da Cisjordânia que não aceita mais devolver.

A inovação do premiê do Catar é que, agora, a Liga Árabe aceita oficialmente a troca de terras, posição que não tinha antes. Isso cria um caminho para que as negociações entre as duas partes sejam retomadas, uma boa notícia diante da intransigência marcada do conflito.

A importância da notícia pode ser medida pela reação dos líderes israelenses. Tzipi Livni, a ministra da Justiça, classificou a declaração de “muito positiva”. Antes mesmo do encontro em Washington, o ex-vice-primeiro-ministro de Israel Dan Merridor afirmou que o caminho para a paz passava pela Iniciativa Árabe.

Há, é claro, uma série longa e complexa de impedimentos para a paz. Um dos maiores é a posição do Hamas, um grupo não só anti-Israel como antissemita. Cabe lembrar, entretanto, que o Hamas pode (reafirmando, pode) estar no caminho da moderação e, desde o início do conflito na Síria, foi para a esfera de influência do Catar, possível ator moderador no conflito. Soma-se a isso a aparente tentativa de Washington de reativar o processo de paz.

Como dito, ter otimismo é demais para este conflito, mas isso não pode obscurecer um evento potencialmente muito positivo.

No vídeo abaixo, declarações de Kerry durante Al-Thani para jornalistas:

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