Como será o golpe no Egito?

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o chefe do Scaf, Abdul Fatah Khalil al-Sisi, em encontro no Cairo em 3 de março de 2013
O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o chefe do Scaf, Abdul Fatah Khalil al-Sisi, em encontro no Cairo em 3 de março de 2013

A aproximação do prazo final imposto pelo Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito (Scaf, na sigla em inglês) para que governo e oposição cheguem a um acordo elevou as tensões no país nesta terça-feira 2. A certeza entre analistas (da qual compartilho) de que o golpe militar já está dado foi reforçado pelo vazamento de informações a respeito de como ocorrerá o golpe.

O jornal Al-Ahram publicou reportagem (em árabe e uma tradução não oficial em inglês) na qual afirma que os militares usaram as últimas 24 horas para tentar persuadir o presidente Mohamed Morsi a renunciar. A iniciativa não deu certo, como deixou claro o discurso desafiador de Morsi, no qual ele afirmou que protegerá a legitimidade de sua presidência com a vida.

Assim, diz o Al-Ahram, Morsi deve ser “demitido” pelos militares. Segundo o jornal, o “mapa do caminho político” do Scaf incluirá: o cancelamento da Constituição e a elaboração de uma nova Carta por um “comitê de especialistas”, que vai submeter o texto à Al-Azhar (o centro de estudos sunita) e a um referendo. A nova Constituição determinará quando as eleições presidenciais e legislativas serão realizadas.

Ainda segundo o Al-Ahram, haverá um conselho presidencial formado por três pessoas e presidido pelo chefe da Suprema Corte. O novo período de transição terá de nove meses a um ano.

A parte mais preocupante: haveria ordens para colocar sob prisão domiciliar os líderes da Irmandade Muçulmana, além de confiscar suas armas e fundos.

A Reuters traz uma versão bastante parecida. Segundo a agência, a Constituição será cancelada, mas também será dissolvido o Conselho Shura. Equivalente ao Senado do Egito, o conselho é dominado pela Irmandade Muçulmana e seu presidente assumiria o governo em caso de vacância da Presidência.

Segundo a Reuters, uma eleição presidencial ocorrerá após a elaboração de uma nova Constituição e as legislativas só serão realizadas depois da promulgação de uma lei determinando quem pode ou não ser candidato.

Seja como for, está claro que, se o Scaf for mesmo desenhar um “mapa do caminho político”, será por meio de um golpe de Estado. E, diante disso, permanece a questão: haverá espaço para a democracia no fim dessa transição?

Foto: State Department

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