O que ler, ver e ouvir sobre o golpe no Egito

*atualizado em 6 de julho de 2013

Uma coletânea de análises sobre a crise que levou à deposição de Mohamed Morsi:

Egypt’s Coup: Is it Déjà vu All Over Again?

John L. Esposito, professor de Religião e Assuntos Internacionais na Universidade Georgetown, diz que a onda de autoritarismo mostra como é profunda a influência do regime de Hosni Mubarak sobre o Egito. Para ele, os verdadeiros vencedores do golpe são os integrantes do antigo regime ainda presentes no Judiciário, na burocracia, na polícia e nas Forças Armadas do Egito.

A difficult way forward in Egypt

Relatório do International Crisis Group afirma que é difícil saber quem foi mais míope no Egito, o governo arrogante da Irmandade Muçulmana ou a oposição pronta a afundar o país. Para o ICG, a crise atual é fruto de uma “transição política fundamentalmente falha”. O relatório aponta que uma tentativa de reprimir os islamistas e retirar seus direitos políticos “seria uma cura pior que a doença, quase certamente levando os grupos islamistas para a clandestinidade e fazendo surgir uma geração de islamistas radicais, no Egito e além, que terão perdido a fé na mudança pacífica e democrática”. A Irmandade, diz o ICG, deve aprender a lição de que um grupo não pode governar sozinho em um período de polarização sociopolítica e transformação e que uma Constituição é um contrato social de longo prazo entre egípcios de diferentes inclinações ideológicas e backgrounds étnicas, de classe e religiosos diferentes”.

Where Does the Muslim Brotherhood Go From Here?

No site da New Republic, Nathan J. Brown, que há uma década estuda movimentos islamistas e está no Carnegie Endowment for International Peace, avalia que a Irmandade Muçulmana pode seguir um de três caminhos diante do golpe militar. O primeiro seria voltar ao jogo político, mas de forma cuidadosa e ponderada, como era previsto logo após a queda de Mubarak. O segundo seria a organização abandonar a política, deixando ativo na disputa por poder o Partido Liberdade e Justiça. O terceiro seria o grupo retornar à violência. Conclui Brown: “Seria sensato para aqueles que estão agora vitoriosos no Egito lembrar que a questão não é apenas o que a Irmandade aprende, o problema também é o que os islamistas são ensinados.”

Ouster Of Egypt’s President Reverberates Through Middle East

Shadi Hamid, diretor de pesquisa do Brookings Doha Center, diz em entrevista à rádio NPR que a derrubada de Morsi pode servir de combustível para a argumentação de grupos como a Al-Qaeda, de que não há mudança pela via democrática, apenas por meio da violência. Segundo ele, começaremos a ouvir a seguinte observação por parte dos islamistas: “Tentamos a democracia, vencemos as eleições e mesmo depois disso não pudemos governar”. Para Hamid, isso pode levar esses grupos a abandonarem o processo político.

Witnessing a Coup in Egypt

Eric Trager, pesquisador do The Washington Institute for Near East Policy, conhecido pela dura crítica que faz à Irmandade Muçulmana, afirma no The Wall Street Journal que Morsi não exercia nenhum controle sobre os militares e a polícia e era quase um presidente apenas nominal. Trager destaca a incompetência do governo Morsi e a tentativa de ganhar mais poderes feita em novembro de 2012. Para Trager, “a forma não democrática pela qual [Morsi] foi removido vai complicar significativamente os esforços para construir consenso no Egito”. Segundo ele, no entanto, “tendo em vista a profundidade dos problemas do Egito, o futuro da democracia não estava na cabeça dos manifestantes que ajudaram a derrubar um presidente”

Egypt: The future of the Muslim Brotherhood

No Inside Story da Al-Jazeera, Hisham Kassem, jornalista; Abdelwahab El-Affendi,  professor da Universidade de Westminster; e Fawaz Gerges, diretor do Centro de Oriente Médio da London School of Economics debatem o futuro da Irmandade Muçulmana:

Outras indicações interessantes:

  • Alvaro de Vasconcelos, diretor de projetos no Arab Reform Initiative, escreve no Project Syndicate que Obama deve mediar a situação no Egito para evitar que a situação no país se torne uma guerra civil como a da Argélia em 1992
  • A Foreign Affairs traz uma coletânea de 15 análises publicadas em seu site e na revista sobre o um ano de governo Morsi

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