O que está acontecendo na Líbia?

lyafricaDois anos e meio após a derrubada e posterior assassinato do ditador Muamar Kadafi, a Líbia parece estar entrando em uma guerra civil. O conflito se dá entre o governo central de Trípoli, dominado por islamistas, e o general Khalifa Haftar, que acusa esses islamistas de terrorismo e promete “limpar” o país. Os dois lados são apoiados por milícias, divididas em contornos étnicos, geográficos e religiosos, cujas lealdades estão sendo construídas em meio à crise.

Haftar participou do golpe que levou Kadafi ao poder, em 1969, e serviu sob o ditador até o fim dos anos 1980, quando desertou e passou a liderar um grupo rebelde apoiado pelos Estados Unidos. Sua empreitada não vingou e Haftar, então, passou a morar na Virgínia, nos EUA, onde levava vida confortável, com direito a cidadania e voto nas eleições de 2008 e 2009. Iniciado o levante contra Kadafi, Haftar retornou a seu país de origem e liderou parte dos grupos que derrubaram o ditador.

Haftar volta à cena agora para tentar derrubar os islamistas que dominam o proto-parlamento líbio, cujo mandato, encerrado em fevereiro, foi estendido pelos próprios parlamentares até dezembro, em um movimento considerado ilegal por diversos críticos. Haftar critica o governo por não ter conseguido dar estabilidade ao país (a Líbia ainda não tem uma Constituição e nem forças de segurança regulares) e acusa os islamistas de estarem por trás de uma onda de assassinatos de militares e ex-aliados de Kadafi ocorrida nos últimos anos que deixou dezenas de vítimas. Ao que tudo indica, a acusação procede e as mortes seriam resposta à repressão sofrida pelos islamistas nas mãos de Kadafi.

lycolorHaftar prometeu agir em fevereiro, mas apenas agora deu início às suas operações. A mais importante delas ocorreu na quinta-feira 15, em Benghazi, cidade no leste da Líbia. Milícias leais a Haftar atacaram, com o auxílio de ao menos um avião e um helicóptero, bases de grupos islamistas militantes. O confronto provocou pânico na cidade e deixou cerca de 70 mortos. No domingo 18, milicianos da cidade de Zintan, leais a Haftar, atacaram o Parlamento em Trípoli e transferiram a autoridade a uma assembleia constituinte.

Após as ações, alguns grupos militares, como as Forças Especiais da Líbia e os recrutas de uma base aérea em Torbuk anunciaram apoio à causa de Haftar.

Em resposta, o presidente do Parlamento ordenou que milícias islamistas originárias de Misrata (ou Misurata) leais ao governo e que agem sob o nome Força Escudo da Líbia fossem para Trípoli defender o Parlamento. Um outro grupo islamista, sob a alcunha Leões do Monoteísmo, também estaria rumo à capital para proteger o Parlamento.

Uma rara voz ponderada é a do primeiro-ministro Abdullah al-Thinni. Ele teria proposto a suspensão dos trabalhos do Parlamento até a realização de uma nova eleição. Seria uma forma de contemplar os dois lados e evitar mais violência. 

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