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O massacre nas praças Rabaa al-Adawiya e Nahda

O vídeo acima resume as evidências coletadas ao longo do último ano pela ONG Human Rights Watch a respeito dos massacres cometidos pelas autoridades do Egito em julho e agosto de 2013, nas semanas seguintes à deposição de Mohamed Morsi, primeiro presidente eleito na história do país. A HRW contabilizou ao menos 1150 mortes,a maioria em 14 de agosto, quando 817 pessoas foram assassinadas nas praças Nahda e Rabaa al-Adawiya, no Cairo, número equivalente à matança ocorrida no Massacre da Praça da Paz Celestial, em Pequim, em 1989.

Nesta terça-feira 12, a Human Rights Watch pediu uma investigação internacional a respeito dos ataques realizados pelo regime então em formação contra opositores, majoritariamente partidários da Irmandade Muçulmana, o movimento político-religioso do qual Morsi fazia parte.

Após a derrubada de Morsi, irmãos muçulmanos ocuparam as duas praças por mais de um mês, em um ato de desafio ao golpe liderado pelo hoje presidente do Egito, o então general Abdel Fattah al-Sissi. Segundo o relatório da ONG, intitulado All According to Plan, a dispersão das manifestações foi discutida por meses pelas autoridades egípcias e, ainda assim, acabou em uma carnificina realizada de forma “sistemática, ordenada de cima para baixo e que provavelmente equivale a crimes contra a humanidade”.

A polícia e o Exército do Egito utilizaram blindados, escavadeiras, munição letal e atiradores de elite contra as multidões. A brutalidade, que pode ver observada com detalhes no trabalho do fotógrafo Mosa’ab Elshamy, incluiu ataques ao hospital que atendeu a maioria dos feridos e à mesquita da praça Rabaa al-Adawiya, incendiada pelas autoridades.

De acordo com a HRW, não procede o argumento do governo do Egito sobre o fato de os manifestantes estarem armados. Há relatos oficiais de que 15 armas foram encontradas no local do protesto, o que não justificaria a “punição coletiva” realizada. Ainda segundo a ONG, nenhum dos integrantes das forças de segurança que participaram da dispersão foi preso, enquanto cerca de mil manifestantes enfrentam julgamento.

O massacre na praça Rabaa al-Adawiya gerou uma onda de solidariedade à Irmandade Muçulmana, marcada pela saudação com quatro dedos, conhecida como R4bia, alusão ao nome da praça. Rabaa, em árabe, significa “quarto”. Enquanto isso, o governo se apressou para tentar apagar da memória coletiva a existência do maior massacre da história moderna do Egito.

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