Qual é o maior problema do Oriente Médio?

A mais recente pesquisa (em PDF) do Zogby Research Services com a opinião pública no Oriente Médio traz um dado essencial para o debate a respeito da região: é praticamente um consenso na sociedade local que a falta de democracia é um dos maiores problemas vivenciados ali.

Entre 17 de setembro e 10 de outubro, o Zogby ouviu 7.173 adultos em oito países (Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Líbano, Irã, Iraque, Jordânia e Turquia). Em uma das questões (não apresentada no Irã), o entrevistado foi instado a responder qual era o maior obstáculo à paz e à estabilidade na região. Depois, diante da mesma lista, deveria dizer qual era o segundo maior obstáculo. Os dados agregados estão na tabela abaixo:

orientemedio_zogby

Como se vê, a opção “falta de um governo representativo” foi a mais citada na junção das duas perguntas em quatro países: Emirados Árabes Unidos, Líbano, Iraque e Jordânia. Na Arábia Saudita, no Egito e na Turquia, foi a segunda opção mais citada, atrás da ocupação da Palestina por Israel.

O dado é extremamente relevante para quem analisa o Oriente Médio pois ajuda a demonstrar que algumas respostas comuns para os problemas da região são consideradas impertinentes pelos maiores interessados na paz e na estabilidade locais.

Um exemplo: é comum ouvir em círculos conservadores que o radicalismo religioso é o maior problema do Oriente Médio e que as sociedades locais não desejam viver em regimes democráticos. A pesquisa evidencia que trata-se de um argumento falso.

A crítica dos entrevistados à falta de democracia vai ao encontro de levantamento publicado pelo Pew Research Center em 2012. Ali, sólidas maiorias em cinco países da região (Egito, Jordânia, Líbano, Tunísia e Turquia) disseram que a democracia era o melhor regime para se viver.

Um segundo exemplo: em círculos progressistas, costuma-se atribuir peso demasiado à influência dos Estados Unidos pelos problemas da região. A pesquisa mostra que apenas no Iraque (não sem razão) a opção “intervenção demais dos EUA” foi apontada como o maior problema do Oriente Médio.

Nos dados agregados, a interferência dos EUA foi a quarta colocada no Iraque (atrás da interferência do Irã) e não passou do quinto lugar nos outros países.

Em conjunto, essas informações ajudam a explicar a chamada Primavera Árabe. As revoltas populares de 2011 tinham um evidente caráter democratizante, ao contrário do que pregavam os conservadores, e não foram direcionadas a Washington, para o lamento dos progressistas de visão mais arcaica, mas sim aos ditadores locais.

Abaixo, os dados desagregados da pergunta sobre os motivos da instabilidade no Oriente Médio:

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