“Hwages”, um protesto das mulheres sauditas contra a opressão

Cena de "Hwages" (Foto: Reprodução / Facebook)
Cena de “Hwages” (Foto: Reprodução / Facebook)

Quase quatro milhões de pessoas já viram no Youtube o clipe de Hwages, uma música que denuncia a opressão das mulheres na sociedade saudita. Produzido por Majed al-Esa, o vídeo é estrelado por anônimas, que se vestem de niqab e abaya, mas por baixo usam vestes coloridas e realizam atividades banidas para elas no reino, como jogar basquete, dançar, cantar e andar de skate e patins.

A cena inicial do clipe é um ataque à proibição de dirigir: as mulheres entram em um carro a ser guiado por um menino. Depois, em um parque de diversões, elas derrubam pinos de boliche com rostos masculinos e dirigem carros bate-bate.

O refrão diz “Ah, se Deus nos livrasse dos homens” e a música pede “que os homens sejam extintos, porque eles nos causam doenças mentais”.

Não é preciso entender árabe para compreender a mensagem que Hwages (“preocupações” em português) quer transmitir. Os homens são retratados de forma caricata, como figuras prepotentes e autoritárias, mas as mulheres estão desafiando os padrões estabelecidos pela cultura patriarcal vigente na Arábia Saudita.

Trata-se de uma tentativa de mostrar que há na sociedade saudita mulheres dispostas a questionar um sistema que impõe casamentos arranjados e proíbe que as mulheres completem qualquer tarefa sem o consentimento masculino, seja do pai, do irmão, do marido ou mesmo do filho.

Nessas tarefas estão desde viagens e idas ao restaurante ou ao supermercado até uma consulta ao médico. Não se tratam de proibições banais, mas de restrições que tolhem a existência de metade da população e, em casos mais graves, ameaçam a vida das mulheres: foi o caso da garota que precisou do consentimento de seu guardião para ser levada ao hospital pelos paramédicos que a socorreram após um atropelamento.

Além da luta das mulheres, o sucesso do vídeo simboliza também o momento pelo qual passa a Arábia Saudita. Com a ascensão do Estado Islâmico, cuja ideologia wahabista se assemelha muito à do Estado saudita, os clérigos estão na defensiva e a porção liberal da sociedade experimenta uma liberdade inédita para criticar o wahabismo.

 

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s