Não há culpa coletiva na Faixa de Gaza

Palestinos procuram casas destruídas por ataques israelenses em escombros no norte da Faixa de Gaza (Foto: Shareef Sarhan/ UN)
Palestinos procuram casas destruídas por ataques israelenses em escombros no norte da Faixa de Gaza (Foto: Shareef Sarhan/ UN)

Vamos começar refletindo sobre as duas frases abaixo.

“Quando você faz parte de um processo eleitoral que [elege] uma organização terrorista que proclama em palavras e ações que seu principal objetivo é destruir o seu país vizinho e não construir escolas ou comércio ou postos de trabalho, você é cúmplice e não uma vítima civil”.

“O povo é quem escolhe o governo por vontade própria, uma escolha que decorre de seu acordo com suas políticas. (…) O povo é que financia os ataques contra nós (…) por meio de seus candidatos eleitos. (…) É por isso que o povo não é inocente por todos os crimes cometidos”.

O primeiro comentário é de David-Seth Kirshner, presidente do conselho de rabinos de Nova York, que na semana procurou justificar os ataques das Forças Armadas de Israel contra civis palestinos na Faixa de Gaza. O segundo é de Osama bin Laden.

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Trégua em Gaza: as leituras da semana

Na terça-feira 5 teve início uma trégua de 72 horas entre o Hamas e Israel, após quase um mês de conflitos na Faixa de Gaza. Uma trégua de longo prazo está sendo negociada. Enquanto isso, é preciso avaliar os aspectos políticos, humanos e éticos do que aconteceu. Abaixo, algumas sugestões para tanto.

Qual a ética em Gaza?

No Project Syndicate, o professor de bioética Peter Singer analisa os aspectos éticos das ações do governo de Israel e do Hamas. Para ele, as objeções morais aos atos do grupo militante palestino são maiores do que as que envolvem a ação israelense. Ainda assim, ele conclui que Israel não está fazendo o suficiente para minimizar a morte de civis palestinos no conflito.

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Os 2 milhões de escudos humanos do Hamas

Famílias retornam para Shujaiya no leste de Gaza, palco de alguns dos mais pesados ​​bombardeios israelenses (Foto: Foto: Iyad Al Baba/ Oxfam)
Famílias retornam para Shujaiya no leste de Gaza, palco de alguns dos mais pesados ​​bombardeios israelenses (Foto: Foto: Iyad Al Baba/ Oxfam)

O elevado número de civis palestinos mortos na Operação Protective Edge tem feito Israel, e seus defensores, baterem repetidas vezes na tecla de que o Hamas utiliza escudos humanos. O assunto é bastante controverso, mas a realidade é que, a despeito de Israel estar realizando ataques desproporcionais, a tática do Hamas de fato coloca toda a população da Faixa de Gaza em perigo.

Na quinta-feira 31, as Forças Armadas israelenses divulgaram dois vídeos importantes. O primeiro mostra imagens aparentemente captadas por drones do que seriam 12 lançamentos de foguetes a partir de áreas civis na Faixa de Gaza.

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Yochanan Gordon defende, no Times of Israel, o genocídio de palestinos

O blogueiro Yochanan Gordon publicou nesta sexta-feira 1º, no jornal israelense The Times of Israel, um post defendendo o que chama de genocídio palestino. O título lia “Quando o genocídio é admissível”. No último parágrafo, Gordon afirmava: “Se os líderes políticos e especialistas militares determinam que a única maneira de atingir seu objetivo de sustentar a tranquilidade é através de genocídio, então ele é permitido para atingir esses objetivos responsáveis​​?”

Após a repercussão, o texto foi tirado do ar pelo jornal, que em seguida anunciou a descontinuação do blog. De acordo com o Times of Israel, o post era “condenável e ignorante” e “flagrantemente” violava “as diretrizes editoriais” do jornal. Ainda de acordo com a publicação, sua plataforma de blogs é aberta, e permite aos blogueiros postar sem antes consultar os editores. “Estamos com raiva e chocado por ter sido este caso, e iremos tomar medidas para evitar a reincidência. Não vamos tolerar posts que incitem à violência ou atos criminosos”, disse o jornal.

Abaixo, reproduções do texto. No fim, o texto na íntegra.

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Sejamos sinceros, Israel não quer a paz

Veículo militar israelense na fronteira com a Faixa de Gaza (Foto: Israel Defense Forces / Flickr)
Veículo militar israelense na fronteira com a Faixa de Gaza (Foto: Israel Defense Forces / Flickr)

Quem acompanha minimamente o noticiário internacional e já ouviu falar do conflito entre Israel e os palestinos conhece a versão segundo a qual a culpa pela violência é das duas partes. Esta explicação já foi verdadeira, como comprovam os abusos cometidos de parte a parte ao longo do último século, mas a cada nova crise ela se enfraquece. O passar do tempo tem tornado óbvia a responsabilidade maior de Israel pela perpetuação da tragédia. A atual ofensiva, aberta em 8 de julho com o início da operação Protective Edge (Borda Protetora), escancara a intenção israelense de, custe o que custar, levantar barreiras à formação do Estado palestino.

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Israel tem o direito de existir, sim

Mães israelenses e seus recém-nascidos em abrigo no hospital  Schneider durante ataque do Hamas (Foto: @IDFSpokesperson)
Mães israelenses e seus recém-nascidos em abrigo no hospital Schneider durante ataque do Hamas (Foto: @IDFSpokesperson)

O Brasil não é um anão diplomático, como afirmou recentemente o porta-voz do Ministério do Exterior de Israel, Yigal Palmor, mas dificilmente conseguirá exercer algum papel de influência no Oriente Médio se o debate público a respeito da questão palestina seguir no nível rasteiro em que se encontra.

Depois de o ministro aposentado do Superior Tribunal Militar Flavio Flores da Cunha Bierrenbach afirmar que os palestinos não existem, na segunda-feira 28 o colunista Ricardo Melo, na mesma Folha de S.Paulo, publicou um libelo contra Israel, no qual diz inexistir “solução para a crise no Oriente Médio que não inclua o fim do Estado de Israel”.

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