O que fazer depois de Paris?

Desde a segunda-feira 16, o presidente da França, François Hollande, vem tentando construir uma resposta aos atentados de 13 de novembro em Paris, classificados por ele como um “ato de guerra” do Estado Islâmico. Seu discurso equivale a uma cópia mal-feita do neoconservadorismo norte-americano liderado por George W. Bush e consiste, basicamente, em tratar o problema do terrorismo como uma questão securitária e militar, um conflito armado. A “guerra … Continuar lendo O que fazer depois de Paris?

Estado Islâmico: a ameaça se renova

Além de ser o segundo maior atentado terrorista contra o Ocidente desde o 11 de Setembro, o massacre ocorrido em Paris na noite de 13 de novembro marca uma importante mudança na estratégia do autoproclamado Estado Islâmico. Desde a fundação do califado, em novembro de 2014, o grupo jihadista concentrou seus esforços na construção de um Estado. Além de cometer genocídios, destruir monumentos históricos e … Continuar lendo Estado Islâmico: a ameaça se renova

Charlie Hebdo: a culpa da Arábia Saudita

Poucas ações são mais repugnantes do que homens armados invadirem a redação de um jornal e assassinarem pessoas cujo ofício era exercer o inalienável direito à liberdade de expressão. A covardia ocorrida na quarta-feira 7 em Paris, na sede do satírico Charlie Hebdo, terá uma repercussão profunda, mas é improvável que o debate público e as ações governamentais resultantes do massacre atinjam o cerne da questão: a origem da ideologia doentia que dá suporte aos terroristas da capital francesa.

Os assassinos de Paris tinham uma clara missão. Desejavam executar os responsáveis pelo veículo que tinha, entre outros alvos também legítimos, o islã. Certamente, levaram em conta a importância simbólica de um órgão de imprensa para uma sociedade democrática. Ao atacá-lo, desejavam aterrorizar as sociedades vistas por eles como decadentes, por não compartilharem sua sórdida visão de mundo. Buscavam, também, criar um clima de tensão capaz de ampliar a capacidade de recrutamento do jihadismo. O caos e a morte são partes indissociáveis do ambiente no qual se sentem confortáveis.

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Existe esperança para os sírios?

As horrendas imagens das vítimas de um aparente ataque com armas químicas em Ghouta, subúrbio de Damasco, correm o sério risco de entrar para a história apenas como mais uma das atrocidades cometidas na guerra civil da Síria. A ofensiva pode ser a mais grave do tipo desde 1986 (quando Saddam Hussein matou ao menos 3,2 mil curdos), o que configuraria uma derrota moral da comunidade internacional, mas ainda assim pode ficar impune. A dificuldade de comprovar a autoria do ataque é imensa e, caso isso ocorra, não parece haver disposição e possibilidades factíveis para punir os responsáveis.

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Na Síria, a única certeza é a ampliação da tragédia

Uma conferência internacional programada para acontecer ainda neste mês em Genebra, na Suíça, pode colocar fim ao conflito de dois anos na Síria. A possibilidade de isso ocorrer ainda é pequena. Não porque há dúvidas até mesmo sobre quem deve ser convidado para a reunião, mas porque não há interesse genuíno em encerrar o conflito. A Síria vale muito para todos os envolvidos e nenhum deles parece minimamente inclinado a ceder para cessar uma guerra civil que já deixou ao menos 80 mil mortos e 1,6 milhão de refugiados.

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O que impede um acordo nuclear com o Irã?

Hoje acabou a rodada de conversas entre o P5 + 1 (que agora vem sendo chamado de E3 + 3) e o governo do Irã em Bagdá, no Iraque. Foram dois dias de negociações, tensas segundo relatos, que produziram apenas uma nova data para a continuação dos diálogos – 18 e 19 de junho em Moscou. Uma nova rodada de negociações, após consultas que serão … Continuar lendo O que impede um acordo nuclear com o Irã?