O Estado Islâmico veio para ficar

Em 22 de setembro, os Estados Unidos estenderam à Síria a operação contra o Estado Islâmico (EI), iniciada no Iraque em agosto e oficializada no início deste mês em discurso de Barack Obama. Com os bombardeios e o apoio a forças terrestres locais, tanto na Síria quanto no Iraque, Washington busca “degradar e destruir” o autoproclamado califado. O primeiro objetivo é factível, mas o segundo é claramente impraticável. Sem lidar com o autoritarismo, o sectarismo, o desemprego, a pobreza, o analfabetismo e outros problemas que fazem vicejar o radicalismo religioso no Oriente Médio, a ideia por trás do Estado Islâmico não será destruída. Quando, e se, o EI recuar e perder território, o ideal vai simplesmente aguardar, encubado, uma possibilidade de manifestar seu barbarismo novamente.

Do ponto de vista militar, o Estado Islâmico tem uma fragilidade importante que torna o grupo vulnerável à operação liderada pelos EUA: sua ambição expansionista, baseada em uma verdade religiosa que atribuiu ao grupo uma missão inexorável de dominação mundial.

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Na Síria, o alvo agora é a Al-Qaeda

Bashar al-Assad deve estar aliviado. Desde 3 de janeiro, suas tropas desfrutam de uma inesperada trégua, provocada não pelos esforços internacionais em favor da paz na Síria, mas por um conflito entre os rebeldes – muitos deles religiosos radicais – que até pouco tempo atrás estavam unidos contra o regime de Damasco. A disputa interna entre os opositores de Assad, iniciada com ataques verbais em 2013, evoluiu para um confronto militar nos últimos dias, e a tendência é que acabe com a oposição ainda mais enfraquecida.

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Existe esperança para os sírios?

As horrendas imagens das vítimas de um aparente ataque com armas químicas em Ghouta, subúrbio de Damasco, correm o sério risco de entrar para a história apenas como mais uma das atrocidades cometidas na guerra civil da Síria. A ofensiva pode ser a mais grave do tipo desde 1986 (quando Saddam Hussein matou ao menos 3,2 mil curdos), o que configuraria uma derrota moral da comunidade internacional, mas ainda assim pode ficar impune. A dificuldade de comprovar a autoria do ataque é imensa e, caso isso ocorra, não parece haver disposição e possibilidades factíveis para punir os responsáveis.

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A Síria se afunda na guerra, e o mundo segue imóvel

Há pouco mais de um mês, foram expostas aqui três dimensões do conflito na Síria – o duelo geopolítico entre Estados Unidos e Rússia; a batalha sectária nos contornos de xiitas e sunitas; e a disputa interna na oposição ao ditador Bashar al-Assad. Desde então, em todas essas frentes o conflito se agravou ou continuou como estava, mas está claro que é preciso acrescentar uma nova dimensão a ele: a dramática situação dos refugiados, capaz de tornar a questão síria uma guerra duradoura no Oriente Médio.

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Quem não tem armas químicas na Síria?

No fim da noite de domingo 5, em entrevista à Radiotelevisione svizzera, a investigadora da ONU Carla del Ponte afirmou que os rebeldes sírios teriam usado gás sarin no combate às forças de Bashar al-Assad. Segundo ela, havia “suspeitas concretas” sobre este fato. Menos de 24 horas depois, o Departamento de Estado dos Estados Unidos e a ONU já haviam negado a fala de Del Ponte, uma mulher conhecida na comunidade internacional por fazer alarde de boatos.

Apesar do desmentido, não é improvável que, com o passar do tempo e o agravamento do conflito, a guerra civil síria se torne cada vez mais “química”.  Continuar lendo “Quem não tem armas químicas na Síria?”

No Líbano, Exército pode ter papel central para evitar o caos

A escalada do conflito entre os opositores de Bashar al-Assad na Síria e seus aliados vai, inevitavelmente, continuar afetando o Líbano. O assassinato do chefe da Inteligência civil libanesa, Wissan al-Hassan, na semana passada, trouxe de volta o temor de que o Líbano retorne para a tragédia da guerra civil. Por enquanto, há alguma violência, mas não se observa um conflito aberto entre xiitas, sunitas … Continuar lendo No Líbano, Exército pode ter papel central para evitar o caos