Charlie Hebdo: a culpa da Arábia Saudita

Poucas ações são mais repugnantes do que homens armados invadirem a redação de um jornal e assassinarem pessoas cujo ofício era exercer o inalienável direito à liberdade de expressão. A covardia ocorrida na quarta-feira 7 em Paris, na sede do satírico Charlie Hebdo, terá uma repercussão profunda, mas é improvável que o debate público e as ações governamentais resultantes do massacre atinjam o cerne da questão: a origem da ideologia doentia que dá suporte aos terroristas da capital francesa.

Os assassinos de Paris tinham uma clara missão. Desejavam executar os responsáveis pelo veículo que tinha, entre outros alvos também legítimos, o islã. Certamente, levaram em conta a importância simbólica de um órgão de imprensa para uma sociedade democrática. Ao atacá-lo, desejavam aterrorizar as sociedades vistas por eles como decadentes, por não compartilharem sua sórdida visão de mundo. Buscavam, também, criar um clima de tensão capaz de ampliar a capacidade de recrutamento do jihadismo. O caos e a morte são partes indissociáveis do ambiente no qual se sentem confortáveis.

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Racha no Oriente Médio dificulta a paz em Gaza

Sandálias de criança e uma arma quebrada em uma poça de sangue na cidade de Gaza, em 28 de julho (Foto: @TamerELG)
Sandálias de criança e uma arma quebrada em uma poça de sangue na cidade de Gaza, em 28 de julho (Foto: @TamerELG)

A grande lição da “Primavera Árabe” é simples em forma e grandiosa em repercussão. Ficou claro desde 2011 que qualquer abertura democrática na região trará à tona forças da sociedade reprimidas nas últimas décadas. Essa é uma consequência óbvia, e comum a qualquer país sob regime autoritário, mas no Oriente Médio teve um efeito intenso: dividiu os países da região de forma profunda, criando um racha que, hoje, dificulta a obtenção de um cessar-fogo entre Israel e o grupo palestino Hamas, em guerra desde 8 de julho.
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Uma nova esperança para a paz entre Israel e Palestina

Jassim al-Thani e John Kerry durante entrevista coletiva. Foto: Departamento de Estado dos EUA
Jassim al-Thani e John Kerry durante entrevista coletiva. Foto: Departamento de Estado dos EUA

Ainda que todo o otimismo com o processo de paz entre Israel e Palestina deva ser acompanhado de parcimônia, uma declaração feita na segunda-feira 28 pelo primeiro-ministro e chanceler do Catar, Sheikh Hamad bin Jassim al-Thani, pode representar, no futuro, um avanço enorme para o fim do conflito.

Após encontro em Washington com o novo secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, Jassim al-Thani afirmou, em nome da Liga Árabe, um acordo deveria “ser baseado na solução de dois Estados, com base na linha de 4 de junho de 1967, com [a possibilidade] de pequenas trocas de terras comparáveis, mútuas e aceitas por ambas as partes”. Traduzindo, o que Jassim al-Thani fez foi ressuscitar a Iniciativa Árabe para a Paz, lançada em 2002 pela Arábia Saudita e aprovada pela Liga Árabe.  Continuar lendo “Uma nova esperança para a paz entre Israel e Palestina”

Se Maomé não pode ser representado, como se faz um filme sobre ele?

Quem acompanha o noticiário internacional já notou, por episódios como os do cartunista Kurt Westergaard, do desenho South Park, da revista francesa Charlie Hebdo e, mais destacadamente, do filme Inocência do Muçulmanos, que retratar Maomé, seja com bom ou mau gosto, é um ato problemático, pois imagens do profeta são consideradas proibidas por muitos muçulmanos. Como, então, os os próprios seguidores do Islã contariam a história de Maomé sem retratá-lo?

Dois filmes, um produzido pelo Irã e outro pelo Catar, vão tentar fazer isso.

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A Al-Jazeera chega aos Estados Unidos

Após seis anos de tentativas, a Al-Jazeera, emissora de televisão financiada e controlada pelo governo do Catar, finalmente conseguiu um caminho para se comunicar diretamente com o público norte-americano. A Al-Jazeera comprou a Current TV, canal a cabo disponível em 40 milhões das 100 milhões de residências dos EUA com TV a cabo. A negociação, divulgada em primeira mão pelo blog Media Decoder, do jornal … Continuar lendo A Al-Jazeera chega aos Estados Unidos

Com visita à Faixa de Gaza, Catar rompe isolamento do Hamas

A Primavera Árabe se espalhou com velocidade pelo Oriente Médio, mas passou ao largo dos territórios palestinos. Na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, a derrubada de governos autoritários foi observada e não copiada, mas mesmo assim um dos principais atores políticos palestinos, o fundamentalista Hamas, viu sua posição bastante alterada. No início de 2011, o Hamas era considerado integrante do eixo formado por Irã, … Continuar lendo Com visita à Faixa de Gaza, Catar rompe isolamento do Hamas