Quem é o bilionário egípcio Naguib Sawiris

Naguib Sawiris em 2009 (Foto: Nader Daoud / WEF)
Naguib Sawiris em 2009 (Foto: Nader Daoud / WEF)

Naguib Sawiris, de acordo com múltiplos relatos na imprensa brasileira, pode comprar a Oi, gigante de telecomunicações afundada em dívidas. Segundo homem mais rico do Egito (atrás de seu irmão Nassef) e sétimo da África, Sawiris tem uma história empresarial conhecida. É filho de Onsi Sawiris e junto com o pai e os irmãos construiu um dos maiores e mais diversificados conglomerados do Egito, o Orascom, tendo feito sua fortuna especificamente no ramo das telecomunicações.

Bem menos conhecida no Brasil é a história de Sawiris na política do Egito. A fortuna da família coincide com uma onda de abertura econômica ocorrida no início dos anos 1990, sob os auspícios do ex-ditador Hosni Mubarak. Muitos dos interesses econômicos surgidos naquele período foram para as mãos de cristãos egípcios (coptas), caso de Sawiris e da família.

Minoria no Egito, representando cerca de 10% da população, os cristãos coptas têm uma existência delicada em um contexto no qual a força dominante é o Estado autoritário e em que a principal contestação vem do islã político (islamismo).

No caso dos grandes empresários, a realidade precária dos cristãos no Egito ganha uma nova dimensão porque, como afirma Tarek Osman no livro Egypt on the Brink – From Rise of Nasser to the Fall of Mubarak, os interesses econômicos são “grandes demais para ignorar e arraigados demais para emigrar”. Desta forma, “algumas das grandes figuras estão determinadas a fazer alguma diferença”.

Este é o caso de Sawiris. Ainda em 2011, logo após o golpe palaciano contra Mubarak, de quem era aliado, Sawiris fundou o partido Free Egyptians, de matriz secular. Por meio da sigla e de seu poderio econômico, manifestado em canais de televisão e jornais, Sawiris buscou antagonizar a Irmandade Muçulmana, então o grupo político mais organizado do Egito – e vencedor da eleição presidencial de 2012.

Não tardou para Sawiris virar alvo dos irmãos muçulmanos. Mohammed Morsi, então presidente do Egito, citou Naguib Sawiris especificamente em um discurso no qual falou sobre empresários sonegadores e seu governo cobrou uma multa de US$ 1 bilhão da família.

A vingança veio na sequência. O golpe civil-militar liderado por Abdel Fattah al-Sissi em 3 de julho de 2013, contra o governo democraticamente eleito da Irmandade Muçulmana, teve inúmeros pais e mães. Naguib Sawiris foi um deles. O empresário ajudou a financiar o Tamarod, grupo que liderou manifestações contra Morsi, e chegou a divulgar notícias falsas de forma a ampliar a pressão contra o então presidente.

Depois do golpe, as coisas não ficaram fáceis para Sawiris. O partido Free Egyptians é o maior do parlamento, mas cada vez mais tem se aproximado do governo Sissi, em termos dos quais o fundador discorda. Em dezembro, Essam Khalil, presidente do partido, conseguiu colocar em prática um golpe interno e dissolveu o “conselho de curadores”, liderado por Sawiris e até então o órgão máximo da sigla. O empresário vai à Justiça e alega que a liderança do Free Egyptians foi cooptada pelo regime.

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